Blog da Manu

Xterra The North Face Endurance 50k

O segundo ano do Xterra The North Face Endurance Mangaratiba 50k prometia ser uma etapa muito bonita e cumpriu seu dever. Essa etapa do Xterra proporciona um circuito de muita beleza e, com o dia lindo que fez, tornou o final de semana um tanto quanto mágico. Mas o dia lindo traz com ele um fator de bastante dificuldade: o calor.

Eu já sabia que não seria fácil e que a hidratação seria o ponto chave da prova. Com certeza ela fez uma enorme diferença para mim.

Largamos às 14:00, debaixo de uma lua! Apesar da época do ano e de estarmos no que se chama de “inverno”, tivemos um dia de pleno verão. Na hora que alinhei vi que não seria fácil e me posicionei embaixo da sombra projetada pelo pórtico.

O meu compromisso com a prova era finalizar o percurso bem, sem dor e sem nenhuma lesão, pois viajo para o Mont Blanc em uma semana. É claro que quando a gente coloca o número de prova a gente sempre quer disputar e por isso larguei num bom ritmo.

O percurso começava muito plano descampado. Os 10 primeiro quilômetros passaram muito rápido e começamos a subir o oleoduto. No princípio havia muita lama e escorregava bastante. Depois ficou seco e apenas íngreme, me obrigando a subir num ritmo de trekking. Ao passar o topo veio o primeiro abastecimento, que já era mais que necessário pois as minhas duas caramanholas estavam vazias.

Descemos ao outro lado e chegamos numa subida. Era uma subida leve e constante, toda de asfalto. O calor estava muito forte e eu já havia acabado com toda minha água. Eu transpiro muito e tenho que me hidratar muito bem mas ali eu não tinha outra alternativa pois não havia água em nenhum lugar. Quando cheguei no topo da serra havia um staff com o picotador para marcar o cartão de prova, mas nada de água. Batia um desespero e as minhas pernas ficavam fracas.

A descida foi divertida e cheguei no plano, rezando por um posto de abastecimento. Eu passava por alguns staffs e perguntava onde estaria, mas ainda faltava. Cruzei um rio no meio de um pasto onde eu quase enchi a minha caramanhola, mas seria loucura justamente porque estava no meio de um pasto. Eu segurei a onda até chegar no posto, que foi para mim um oásis!

Bebi bastante isotônico e quando matei minha sede abasteci as duas caramanholas. As minhas pernas estavam bambas e eu já estava de volta na subida do oleoduto. Eu me defendia e subia devagar. O calor começava a diminuir pois o sol já baixava mas eu não me sentia bem.

Eu pensava no quanto já havia passado e no quanto havia pela frente. A cabeça dá mil voltas e a gente pensa em tudo. Dá vontade de parar, dá vontade de ir. Rola um jogo mental de pensar na prova como etapas e assim fui levando até o final. O trecho ao chegar no hotel foi bastante plano e sem técnica nenhuma. Os últimos 20 quilômetros foram mais ou menos assim. As outras provas do night run já largavam e o visual era um show de luzes para todos os lados. Isso foi muito legal! Eu adoro essa parte noturna da prova e eu curtia estar ali. Pensava no quanto já havia corrido e como havia duelado todos aqueles quilômetros anteriores. O que faltava era muito pouco perto do que já havia passado e isso me dava forças.

Eu escutava palavras positivas dos outros corredores e dos staffs e isso foi muito motivador. Minhas pernas estavam muito pesadas e eu não podia forçar o ritmo, então apenas administrava. O acúmulo dos treinos e o longão de domingo passado dificultavam a minha prova e eu me sentia bastante cansada.

Quando cheguei no quilometro final veio a satisfação. Eu havia cumprido meu dever e apesar de ter desidratado e me sentido mal, fechava os 50km cumprindo o meu dever. Cruzei a linha em segundo lugar, o que me deixou muito feliz.

A hora que parei comecei a passar mal e tive que ir embora. Eu estava fraca e vomitava bastante e eu sabia que seria fundamental eu me cuidar naquele momento para não pagar um preço maior depois. Fazia frio e eu estava ensopada e o cobertor de emergência foi muito útil nessa hora.

Com esses problemas, a hora que cheguei de volta no Portobello eu havia perdido a premiação e isso me chateou muito. Depois de passar por isso não poder subir ali e comemorar é uma pena , por isso peço desculpas pela ausência.

Gostaria de agradecer a todos que estão comigo e que tanto me dão força. Foi bom demais receber tantos abraços de tantas pessoas queridas e que me desejam bem. Eu valorizo demais essa energia positiva e só tenho a agradecer tanto carinho. Obrigada de verdade.

Sigo focada para o CCC no Mont Blanc, que será a realização de um sonho na minha vida. Não vejo a hora de chegar nas montanhas e ver de perto o que tanto vejo nos vídeos de corridas de montanha!

12 comentários para “Xterra The North Face Endurance 50k

  1. Corri a prova de Mangaratiba também. Foi minha preira prova de Trail…Muito diferente da corrida na rua. Parabéns guria tudo de bom e muita sorte no CCC du Mont Blanc. Sorte e Saúde!

  2. Parabéns, Manuela. Em Mangaratiba,um dia antes da prova, você estava usando uma sapatilha, ou sandália, da the north face, vc pode me dizer o modelo e se foi comprada aqui no Brasil? Estive na loja do shopping Leblon, a vendedora sabe qual e, pois ela tb te viu com ela, mas acredita que vc tenha comprado fora. Se puder me informar o modelo… Obrigada.

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