Blog da Manu

Transgrancanaria 2016

Nas provas de ultra existe aquela estatística de abandonos por problemas diversos…

Peguei uma gripe dois dias antes da prova e nada pude fazer para reverter o quadro. Tinha duas opções: largar ou ficar no hotel. Lembrei de minhas próprias palavras em um post que fiz, quando dizia que a única forma de fracassar é não tentar. Alinhei e larguei, mas já sabia que não iria longe. O que já é muito difícil se tornaria impossível.

Com pouco tempo de prova já via claro que eu estava no lugar errado, mas insistia. Ia muito lenta, fraca, duelando a cada passo. Minha cabeça parecia o tic-tac de um relógio, repetidamente me dizendo: sim-não. Enfrentei um percurso muito mais duro que no ano anterior, embora fosse exatamente o mesmo. Fazia frio e ventava e eu sentia nitidamente o quanto aquilo me fazia mal. Tinha muita dor de garganta e dor no peito. Eu pensava, “Como posso maltratar meu corpo tanto assim? Justo ele que sempre corresponde, e tão bem…”

Passei dois pontos de controle e no terceiro encontrei meu apoio, Pau. Eu já não tinha voz e ainda tinha 90km a percorrer. Na velocidade que eu ia, sofrendo do jeito que sofria, isso me levaria a vida toda. É muito difícil encarar esse momento e concluir que o melhor que você pode fazer é parar, mas tudo estava muito claro para mim. O calendário é longo, exigente (um “pata negra” como dizem aqui) e o ano acabou de começar. Eu não estava disposta a pagar um preço tão alto e ser tão imprudente. Tirei meu numeral e entreguei para que a organização o riscasse. Dessa vez eu fui parte da estatística.

Agora tudo que quero é me recuperar desse resfriado para poder voltar a treinar e pensar na próxima prova. Agradeço de coração o apoio de todos.

 

6 comentários para “Transgrancanaria 2016

  1. Manu, te acompanho há muito tempo, superbadmiro sua força, perseverança e dedicação ao esporte.
    Estou inscrita para minha primeira Comrades, mas há dois meses luto com uma condromalacia que não me Deixa correr. Mas como você, me agarrei ao mantra do não -fracasso, e venho nadando, pedalando e fazendo fortalecimento. E dia 29 de Maio estarei lá, para fazer a distância que meu corpo permitir. Seu relato me deu ainda mais coragem. Obrigada. Um grande e admirado abraço.

    • Oi Cristiane
      Muito obrigada pelo carinho :)
      É chato quando algo físico nos impede de fazer o que gostamos, principalmente porque a cabeça pede. Nós vivemos em movimento e precisamos de atividade. Se você pode pedalar e nadar, isso já é ótimo porque não perde a forma física e ainda alimenta a sua mente. Te desejo as melhores energias e pense positivo. Vá até onde você conseguir, mas não se cobre nem se puna caso tenha que parar. Olhe sempre pelo lado positivo e valorize o quanto você conseguiu fazer.
      Grande abraço e boa sorte!

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