Blog da Manu

Rockyman

Recebi um convite do Lucio Del Ciello para intergrar a equipe Ironman numa prova eletrizante que prometia sacudir o Rio de Janeiro: O Rockyman. Na equipe grandes nomes de distintas modalidades: Giliard Pinheiro na corrida, Rodrigo Raineri no Parapente e Totó no surf e SUP. Minha missão? O mountain bike.

Eu havia corrido 80km no Chile duas semanas antes do Rockyman então eu procurei descansar e pedalar pouco. Não corri nessas duas semanas. Fiz trilha algumas vezes para treinar minha técnica e, apesar da prova ter ficado 100% no asfalto, eu preciso confessar que valeu a pena o investimento. Me diverti MUITO essas duas semanas. Sou muito determinada quando quero alguma coisa e evoluí na trilha de uma forma que nem eu mesmo esperava. No dia da prova as modalidades tiveram largadas separadas.

O Totó foi o primeiro a entrar em ação no surf que rolou no Arpoador. Apesar do mar estar pequeno as ondas estavam com uma boa formação e foi possível realizar a etapa. Totó estava na bateria mais disputada e conseguiu uma excelente colocação, já sendo o primeiro ponto positivo da equipe.

Depois veio a minha largada, às 8:00 da manhã. Dos 20 ciclistas alinhados apenas 3 mulheres, uma delas sendo eu e as outras duas as feras Adriana Nascimento e Cristiane Duque Almeida. Já entre os homens estavam grandes nomes do mountain bike como Edivando Souza Cruz, Alexandre Ferreira, Ricardo Pscheidt entre outros fortíssimos. Só tinha fera e lá estava eu alinhada para fazer o meu melhor. Apesar de tudo eu podia contar com uma grande vantagem: eu estava correndo em casa.

Largamos com os batedores de moto e quando chegamos próximo a orla de Copacabana foi dada a largada oficial. Eu sabia que deveria tentar ficar no pelotão até a Rua Alice, onde começava a subida. Como estávamos passando pelas ruas o pelotão se manteve todo junto, em ritmo tranqüilo. Os motoqueiros seguravam o trânsito e nós passávamos pelas ruas movimentadas. Ao chegar na Rua Alice todo mundo atacou. Aí cada um buscou seu ritmo forte de subida.

Todos haviam estudado a altimetria e sabiam que havia um trecho longo para cima. Eu comecei fazendo bastante força para tentar fazer a prova no menor tempo possível. Sabia que cada minuto e cada segundo poderia ser crucial na contagem final e pensava nisso o tempo todo. Esse foi meu pilar, minha motivação. Eu estava num grupo pequeno e subíamos todos juntos. Fiz bastante força para abrir deles, e acabou que deu certo.

Quando me dei conta apenas o Juninho estava comigo, e fomos nos falando para ajudar um ao outro. Quando ele me perguntava se a subida tinha acabado eu informava ele que não. A subida era mesmo longa. Quando chegamos na caixa d’água falei para ele que havia uma boa descida pela frente até a gente começar a subir de novo. Botamos muita velocidade e seguimos juntos.

Quando passamos pelo Alto da Bos Vista o trânsito estava interditado e passamos rapidamente. Pegamos a última subida que levava até a mesa do Imperador. Eu sabia que já estava no final e isso era muito motivante. Passei por um staff que me informou ser a primeira mulher. Mesmo sabendo que a competição não era entre mulheres e sim entre mulheres e homens, eu sabia que estava fazendo um bom trabalho para a minha equipe.

Ao chegar na Mesa do Imperador falei para o Juninho que só precisávamos descer. Pesamos as marchas e seguimos em ritmo forte rumo ao final da etapa. Cruzamos a linha de chegada e nos cumprimentamos pois, apesar de estarmos em equipes diferentes, fizemos um trabalho de parceria. Essa é a parte que mais gosto do mundo off-road: o respeito e “fair play” dos competidores.

Dali em diante seguimos neutralizados até a Lagoa, onde iniciava a etapa de SUP. Lá estava o Totó mais uma vez, pronto para detonar. Quando encontrei o Lucio, capitão da equipe, falei do meu tempo de pedal. Ele ficou surpreso e muito feliz pois ele calculava uma diferença de 30 minutos para o primeiro lugar, que acabou sendo de 19 minutos. Senti que eu havia cumprido o meu dever então relaxei e fui assistir o SUP.

Mais uma vez o Totó arrebentou, chegando em 5 lugar, apenas 20 segundos atrás do primeiro colocado. Nós havíamos cumprido nossas etapas individuais e focamos em descansar para as etapas coletivas.

O momento seguinte era o mais esperado da prova: a corrida de montanha. Na nossa equipe estava o grande nome Giliard Pinheiro, mas que também competiria com outros grandes monstros da corrida como Iazaldir Feitoza, Alexandre Manzan, J. Marshall Thomson e o queniano Paul Korir. E o que prometia ser duro foi ainda mais. Sem dúvida essa foi a etapa mais longa e que tirou ou acrescentou muito tempo no somatório geral.

Com a vitória do grande Giliard Pinheiro e o vôo preciso do Rodrigo Raineri saltamos da 10 colocação para a 2 colocação na prova. Ambos os nossos atletas ganharam os prêmios individuais, o que nos deixou muito felizes e orgulhosos.

Às 17:00 lá estávamos todos nós reunidos para as duas etapas coletivas que fechariam a prova: canoa polinésia e corrida. O mar estava virado e o vento estava forte. Com isso o percurso teve que ser alterado mais uma vez. O briefing foi dado e nós teríamos que dar 6 voltas remando em volta de 3 bóias. Eu já imaginava a confusão de 20 canoas manobrando naquele espaço. E a minha imaginação estava certa, pois dessa batalha final 3 canoas viraram, tirando as respectivas equipes da disputa. Eu não tenho experiência nesse tipo de remada e estava escalada para ficar no voga, ou posição 1, que é responsável pelo ritmo da canoa. Dessa forma o Totó ficaria no 3, que é o motor, o Giliard no 2, o Rodrigo no 4 e o nosso leme Rafael no último banco.

Foi uma loucura. Fiz toda força que podia e tentava acertar as remadas. O mar estava bem mexido e a canoa dava aquelas levantadas enormes, eu por conseqüência remando no ar. Chega a ser engraçado porque esse vôo acaba pegando de surpresa. A cada volta que a gente completava eu me confortava sabendo que estávamos mais próximos do final. Eu escutava o Giliard gritando com cãibras nas pernas e imaginava a dor que ele estava sentindo. Não via a hora de entrar na etapa final. Saímos da água em 9 lugar e, apesar de termos perdido tempo ali, sabíamos que levávamos algum tempo de vantagem sobre muitas equipes. Não deixamos o ânimo baixar e seguimos confiantes para a corrida.

Eu ia na frente puxando o ritmo e o Giliard em último fechando a equipe. Corremos em torno de 1km no plano e pegamos a trilha que nos levaria para a praia de Copacabana. A trilha era bastante vertical então eu e o Giliard fomos ajudando o Totó e o Rodrigo. Eu tentava motivá-los com o fato de que a corrida era curta. Sabia que cada segundo ali importava. Estava anoitecendo e o quanto antes saíssemos da trilha melhor.

Ao chegar na praia de Copacabana seguimos pela areia. Procuramos correr bem perto do mar porque a areia é mais dura. Conseguimos convencer o Totó e o Rodrigo de tirar os tênis e acho que foi isso que fez toda a diferença. Com isso buscamos um bom ritmo e seguimos focados até o final. Faltava muito pouco. Cruzamos a linha de chegada no Arpoador muito felizes. Não sabíamos a nossa colocação mas tínhamos certeza de que havíamos feito um incrível trabalho em equipe, cada um com a sua parcela de contribuição.

Depois de esperar ansiosos pelo resultado saiu a confirmação da nossa colocação: Equipe Ironman conquista o terceiro lugar no Rockyman!

Nos abraçamos muito, todos como uma grande família numa energia muito boa. Agradeço os atletas Totó, Giliard, Rodrigo,  nosso leme Rafael, nossos apoios Kiko e Tathiana e Vinicius (que acabou virando apoio também!), capitão Lucio e nossos familiares e amigos que estavam todos presentes. Gostaria de agradecer o convite e a receptividade de todos da equipe comigo. Foi uma aventura incrível e um orgulho enorme de integrar esse time de feras! Obrigada Mix pelo apoio e todos meus amigos que estavam lá torcendo. Obrigada Dasmu e Carol por esperarem na chegada! UHUUU, foi demais!

6 comentários para “Rockyman

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