Blog da Manu

Big Biker Taubaté 2012

Um clima de nostalgia teve para mim a segunda etapa do Big Biker em Taubaté. O Big Biker foi a minha primeira competição de mountain bike na vida, quando ainda eram as 100 milhas em São Luiz do Paraitinga. Fui incentivada a começar pela Dani Genovesi, amiga e grande inspiração no esporte. Esse ano estávamos lá de volta, depois de muito tempo sem competir no Big Biker, tanto eu quanto ela.

A prova era para mim o que chamo de “laboratório”. Uso essa palavra porque essa prova não estava em meu calendário. A idéia surgiu quando vi que poderia, nesta etapa, testar meu equipamento e treinar uma boa quilometragem, visando o XMAN em julho na Inglaterra. Por isso não poderia modificar minha semana de treinos e nem deixar de fazer a minha corrida longa do final de semana. Tive que inverter o treino inicial, fazendo o “corridão” no sábado e o longo de bike no domingo. Depois de três horas de corrida no sábado eu almocei e segui viagem para Taubaté.

Ao chegar lá fui direto pegar o kit e tratar de jantar para descansar bastante. Quando deitei na cama apaguei e só fui acordar com o som do despertador às 6:15 da manhã de domingo. A preguiça era grande e tive que botar 10 minutinhos a mais. Ao som da segunda chamada não tinha mais choro e levantei da cama para tomar café da manhã. Fazia frio mas tudo indicava que aquela névoa era passageira e de que o dia seria lindo. Eu não estava errada.

Alinhei muito perto da hora de largar e não me preocupei com o aquecimento. Isso porque a largada era controlada e pedalaríamos 5km antes de largar de verdade. Essa largada controlada é um problema porque acaba sendo muito perigosa. Isso porque os competidores que alinham atrás vêm com tudo para chegar na frente. Como as motos estão segurando os ciclistas, a tendência é que todo mundo fique cada vez mais esmagado e pessoas vão caindo antes mesmo que a prova comece. Por essa me safei e quando os batedores saíram da frente a prova começou de verdade em alta velocidade.

Eu não consigo largar num ritmo muito forte, mas me esforcei para andar bem no começo e tentar pegar um pelotão bom. Logo de cara pegamos uma boa subida e é impressionante como se sente a perna inchar imediatamente. Eu seguia fazendo força e com isso cheguei no topo da primeira serra em segundo lugar, colada na Dani, que estava em primeiro.

Depois disso veio uma longa descida e foi aí que ela abriu. Eu estava de garfo e nas descidas tinha que tomar muito cuidado, afinal o terreno não era o “tapete” que haviam me falado que era. É muito importante estar com o braço forte, o peso nos pés e muito concentrada para escolher a melhor linha (como meu amigo Paul Romero me advertiu). Pegar um buraco pela frente pode significar uma queda séria. Eu quase fui ao chão num certo momento e isso me fez ficar muito atenta.

Eu seguia fazendo força a prova toda. Não conseguia andar em pelotão porque eu precisava ver muito bem o terreno adiante. De roda você pode se enfiar num buraco e pelo fato de estar de garfo acabar caindo sem querer, então eu preferia não arriscar.

Fui pegando confiança e descendo cada vez melhor. Eu fechava os punhos com força e deixava a bike ganhar velocidade. Às vezes até esquecia que estava de garfo, por ele ser muito confortável. Nas subidas botava um ritmo constante e conseguia ganhar posições, que muitas vezes havia perdido ou voltaria a perder nas descidas.

Um pouco antes da metade da prova me deparei com a Dani de corrente na mão. Ela havia arrebentado e eu perguntei de precisava de alguma coisa. Ela me fez sinal para seguir.
Segui mantendo o ritmo que vinha, empenhada em fazer o meu melhor. Eu curtia a prova e recebia incentivo dos outros competidores, dizendo que eu era a primeira mulher a passar. Isso me motivava e fazia com que os 90km de prova parecessem mais suaves.

Com quase 4 horas de prova cheguei no asfalto, nos quilômetros finais. Um competidor do meu lado me dizia para diminuir pois a vitória já era garantida. Eu sei que a vitória só acontece quando cruzamos a linha de chegada, por isso segui fazendo força.

Com 4:10 cruzei a linha de chegada em primeiro lugar, cansada porém muito feliz. Foi muito bom voltar ao Big Biker e conquistar esse resultado, depois de tantos anos sem competir nessa prova. Muito bom rever os amigos do mountain bike e curtir esse clima com as pessoas queridas.


2 comentários para “Big Biker Taubaté 2012

  1. Manu fiquei seu fan…Vc andou muito bem em Taubaté, com certeza eu fui um dos que te motivou a continuar andando, fiquei na sua roda por um bom tempo mas no final do platô comecei a ter problemas com caimbrâs e não concegui manter seu ritmo e acabei ficando…Parabéns…

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