Blog da Manu

APTR - Vale das Videiras

Acabei de ler uma frase no facebook da minha amiga, Renata Farah, e resolvi acrescentar nesse post. Obrigada, Rê.
 
It’s not about how hard you hit but how hard you can be hit and still keep moving forward.
 
Temos dias bons e temos dias ruins. Sábado não foi um dia bom.
 
Embora essa prova não tenha sido meu foco, prova sempre é prova. Quando colocamos um número para correr procuramos sempre dar o nosso melhor e sábado não foi diferente. Mas logo que larguei senti que algo estava errado. Na verdade foi a partir do quilômetro um.
 
Minhas pernas estavam amolecidas e não respondiam. A primeira coisa que fiz foi tomar um gel. Se a sensação fosse uma consequência de estar mal alimentada, o gel me daria uma melhora instantânea. Eu queria muito que fosse isso, pois eu tinha bastante comida e poderia resolver o problema de imediato, mas infelizmente não foi.
 
Os corredores passavam por mim e iam embora e eu não conseguia fazer força. Eu tinha uma sensação muito estranha nas pernas. Foi aí que pensei nas minhas alternativas e concluí que tinha duas opções: parar ou seguir devagar. Todo atleta sabe o quão é difícil administrar uma desistência e isso foi a primeira coisa que pensei.  Se eu desistir eu vou ficar mais triste ainda e não vou poder analisar o que aconteceu.  Eu decidi continuar.
 
A colocação não importava mais e a luta ali era interna, administrando uma sensação muito ruim e tentando entender o que estava acontecendo. As pernas realmente não respondiam. Reduzi minha velocidade ao ponto de sentir que poderia ir levando, alternando caminhada com corrida em algumas subidas mais íngremes. Foram 26km MUITO sofridos.
 
No final tive ajuda dos staffs que viam que eu não estava nada bem. Foram super rápidos ao pedir ajuda médica e já comunicavam pelo rádio a necessidade de uma equipe na chegada. Com isso tive a segurança de continuar porque, mesmo sabendo que faltava muito pouco, eu sabia que podia nem cruzar a linha de chegada. Essa é a primeira lição que aprendi e sei que não posso largar dizendo ter a certeza de que vou terminar.
 
Quando cheguei fui atendida com muita velocidade. Meus olhos já nem abriam direito e eu passava muito mal. Sentei e comecei a me hidratar mas isso era muito pouco. Foi aí que entrei na ambulância e deitei na maca. Eu estava muito fraca. Os médicos me colocaram no soro e com uma máscara de oxigênio. Aos poucos comecei a abrir os olhos e ganhar vida de novo. Impressionante como o soro levanta a gente. Quando saí da ambulância fui tomar um banho e comer. Eu já estava muito melhor.
 
Tenho algumas suspeitas do que pode ter acontecido e agora é hora de analisar uma a uma com calma para que isso não se repita no futuro. Pelo menos posso ficar feliz com o fato de que foi apenas uma prova de 26km, pois se fosse uma de 80 ou 100 eu não poderia terminar.
 
Gostaria de agradecer de coração os meus amigos, meu irmão, meu treinador (que também é meu amigo), os staffs e todos que me deram uma força nesse momento. Gostaria de dar os parabéns a todos os corredores que tornaram o evento ainda mais bacana. Um parabéns especial ao meu irmão, Jaime, que fez uma excelente prova e me deixou muito orgulhosa. É muito bacana saber que o trail run está crescendo e fico feliz de poder fazer uma prova “em casa.” Obrigada pelo convite, Adevan Pereira, e parabéns pela iniciativa de criar um circuito de trail run dentro do nosso estado do Rio de Janeiro.
 

 
Agora é hora de trabalhar pois a próxima prova já está ficando perto!

12 comentários para “APTR - Vale das Videiras

  1. Manu, tb corri esse final de semana,fiz os 21 km Daventura aqui em Praia do Forte-Ba,prova dura!!! Não fiz a prova que gostaria de ter feito, mas analisando tudo percebo que fiz uma boa prova, tudo é aprendizado e uma amiga tb me disse uma fase antes da prova que “nenhum esforço é em vão” , dai ao lembra disso, me sentir melhor e agora é voltar aos treinos e evoluir a cada aprendizado, seus créditos estão sobrando menina rs, e vc é motivo de inspiração para mim e muitos outros atletas que correm Trail Run, que Deus lhe abençoe e grande abraço.

    • Clériston,

      Quero te agradecer MUITO pela mensagem carinhosa e pela força. Com certeza nenhum esforço é em vão e isso que nos faz sempre seguir pra frente, de cabeça em pé. Mais importante ainda é saber que sou motivo de inspiração para outras pessoas. Isso só me faz cada vez mais dar o meu melhor.

      Um grande abraço

  2. Boa tarde Manu!
    O mais importante disso tudo, é que você esta bem agora. Com saúde e pronta pra outra corrida que, com certeza, fará com sucesso. Meu amigo Julien, comentou comigo, que você não estava bem. Eu também, quando comecei a corrida, não estava bem mas, aos poucos, me recuperei no percurso e terminei bem, graças a Deus. Desejo franca recuperação e, que Deus nos proteja sempre. Amém.

    • Oi Jorge

      Muito obrigada pela mensagem carinhosa. Pois é, as dificuldades na vida estão aí para serem superadas. O importante é a saúde estar sempre 100%, certo? Que bom que você se recuperou e terminou bem. Fiquei super feliz com a prova do Julien também. Fico muito orgulhosa de vcs!

      Que venha a próxima ;)

  3. O mais perto que cheguei de passar mal e entrar na ambulância foi uma dor de cabeça alucinante pouco antes de cruzar o pórtico. Fiquei cega de dor!
    O bom de todo treinamento e de todas as competições encaradas por vc, é saber analisar a real situação. Seu corpo te desligou, o corpo humano é fantástico e nosso poder de superação também.

    Beijos, melhoras, boas provas!

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